Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Sua Celebridade: A Bunda



Prazer, meu nome é Bunda, e eu faço sucesso.


Como aconteceu sua carreira?

No início era chato, me chamavam de tanajura, mexiam comigo e isso realmente me incomodava. Depois, percebi que esse era um ‘diferencial’ e conhecei a investir na carreira e hoje sou Bunda.


Qual era seu sonho, onde queria chegar?

Não tinha nada planejado, me deixei levar, as coisas foram acontecendo, a admiração do público foi ‘crescendo’ e quando me vi já era sensação nacional. Hoje estou nas principais revistas e também na primeira capa de jornais!


Mas você não acha que a carreira de bunda dura pouco? Não pensa de colocar um pouco de cérebro em seu trabalho?

Ser cérebro dá muito trabalho e muito pouco reconhecimento, até porque não preciso ser inteligente ou ter qualquer conteúdo, é só sorrir e ser bunda, o importante mesmo é não ter celulite. E só isso já me dá muito trabalho.


E como é a questão da concorrência?

Ah, tem para todas! Cada uma com seu estilo e seu público, é claro! Tem as Bundas Povo, as Bundas Veladas que são bundas mas se disfarçam de cérebro, Bunda Estilo, Bunda Business............ É uma carreira realmente promissora!


Apreciar, é divino, banalizar é deixar cair no ridículo.


As mulheres queimaram sutiens e pediram por respeito, OK, direitos, OK, liberdade, OK, agora igualdade???


Homens e mulheres são diferentes, duais e opostos por natureza, logo, igualdade? Complementares, sim, iguais, jamais!


Essa necessidade de igualdade levou a mulher a passar por cima da sua própria essência, fazendo com que ela traçasse um caminho, a meu ver tortuoso. Ela perdeu muito de si mesma.


Na busca do respeito e conhecimento externo, nessa busca de ser reconhecida pela sociedade como algo além de uma fonte de prazer e filhos, ela esqueceu quem é.


Antes, era escrava de seu homem, da repressão de suas emoções, de sua sexualidade ou de qualquer forma de expressão, hoje, embora tenha se posicionado e alcançado cargos e espaço na sociedade, continua sendo escrava, mas de si mesma.


Escrava de todos os 'tem que', 'ser como', e uma infinidade de expressões auto-impostas para chegar à algum lugar que nem mesmo ela sabe onde fica. As expressões 'bem sucedida' e independente', imperam no dicionário feminino e em verdade, todas elas somente tem a ver com dinheiro. E dinheiro é realmente muito bom, mas é bom acompanhado exatamente daquelas coisas que ele não pode comprar.


Na dualidade as mulheres representam a receptividade, a criatividade, o regaço e num pensamento altruísta, o amor incondicional. E o mundo mais do que nunca precisa dessa energia!


Como um cristal que se quebrou, hoje a mulher está fragmentada.


O corpo feminino é realmente lindo, uma obra prima, mas anda tão banalizado! Em contrapartida, tantas mulheres não conhecem a ‘pele’ que têm e isso ainda nos dias de hoje, onde sexo anda na boca das pessoas como cerveja.


Sim, é necessário que as mulheres busquem o reconhecimento de si próprias, mas não da forma que estão fazendo. Esse reconhecimento não é da persona, não é externo, mas da essência do feminino, e ele não está no companheiro, nos filhos, no trabalho e muito menos na sociedade. Ele está num lugar há muito, muito tempo esquecido.


Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

O Marketing da Morte

Então agora é o vôo. Mais de 200 pessoas morreram, algumas não querem mais andar de avião, pessoas não saem da frente da televisão para conferir quantos já foram resgatados, se serão reconhecidos, como realmente se deu o acidente, onde, porquê... Resumo: O circo, ou melhor, o drama está armado, e como todos adoram uma novela mexicana, a audiência sobe e a tv ganha ibope.

O fato é: o mundo gosta de drama, tem necessidade dele.

UAU! Desastre rende!

Mas saibam que, se ‘João Ricardo’ estava no vôo, ele morreu. Sim, ele morreu. Morreu como milhares de pessoas estão morrendo agora, nesse momento pelo mundo. Morrendo de acidente de carro, atropelamento, dormindo, esfaqueadas, de balas ‘encontradas’, infarto, câncer, enfim, de morte. E nenhuma tem o mundo em comoção porque elas morreram, aliás, é muito mais fácil morrer de gripe ou numa mesa de cirurgia fazendo a ‘lipo’ dos sonhos do que de acidente de avião, é estatístico.

Na verdade, a morte se tornou a solução para os problemas do mundo, e isso vêm de muito tempo. Guerra: nada mais é do que matar o outro e com isso sua resistência, suas idéias e filosofias.

Se alguém mata, rouba ou estupra, ele(a) é um desajuste social. A sociedade tem a ‘obrigação’ de expurgar esse padrão distorcido, essa célula cancerígena, então, ela mata o problema para não ter que lidar com ele.

Mas a morte causa tanto frenesi que virou um excelente plano de marketing! Quando tudo está calmo demais e o ibope baixo, muitos pedem, imploram ‘um desastrezinho só, bem pequenino’ só para aumentar a audiência.

A morte também é publicidade e a base dos filmes que matam como se fosse uma troca de roupa e todos achamos extremamente normal isso, até torcemos para que o bandido morra, e que seja uma morte bem terrível digna de um grande final. São dias toscos esses que vivemos!

Se existe uma certeza dentro de cada um nós, é a de que um dia vamos morrer. É fato. Um dia você, eu, sim nós vamos morrer! Muitos antes de nós vieram, e morreram!

Mas há tanto medo da morte, tanto alarde e pânico! Ela é tão somente um portal para o recomeço. Para que muitos nasçam, outros tem que morrer, concluir seus ciclos. Há um planejamento universal ou, eu diria, um controle de natalidade x mortandade necessário, inquestionável.

Esse espaço de tempo chamado Vida, é ele o realmente importante. Muitos têm tanto medo de uma possível morte que esquecem de viver, de admirar, apreciar e degustar a beleza de estar aqui, agora.

Há tanto drama quando um ente querido morre, que também se esquece de honrar sua vida, sua caminhada, independente de como ela tenha sido. A lembrança e a saudade daqueles que amamos estarão conosco e isso não há de ser tirado, nem transformado em sofrimento perpétuo.

A morte é um renascer para aquele que morre. Morre-se para a carne, renascendo para a vida em espírito, ou, deixamos nosso corpo mais denso para caminhar numa realidade mais fluídica, fim de um ciclo, logo, início de outro, como tudo no universo.

Há de se desejar mais a Vida, todos os dias e, se há uma reflexão benéfica a respeito da morte seria:

Sabendo que essa vida, seja ela de 30, 40 ou 80 anos é tão somente um grão de areia na linha da eternidade em que vivemos, teria você aproveitado esse tempo? Teria deixado algum ensinamento para outros? Se você morresse hoje, teria vivido tudo que quis? Teria dado seu melhor? Teria entrado em contato com quem verdadeiramente é?

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

UniDuniTê!!!


Solidão, relacionamento, ciúme, vida, morte, drama, dinheiro, fofoca, raiva, poder, inveja, luz, perdão, amor, saber, doar, desejar, prazer, ter, sorrir,.................

UniDuniTê!!! O que você escolhe???

Será que podemos escolher quais dessas palavras podemos conjugar? Podemos simplesmente riscar algumas no do nosso dicionário pessoal? Por que não?

Se há algum poder em viver aqui e agora, esse poder é, o Poder da Escolha. Nos é dado isso, como uma dádiva, porém, a maioria escolhe de forma totalmente inconsciente. E, até mesmo muitos quando lêem tais textos recusam tal poder de escolha, porque claro, com ele vem a responsabilidade.

Mas pensando naqueles que escolhem se responsabilizar pelas rédeas de sua... não vou colocar vida, mas sim, caminhada. Porque essa é só mais uma caminhada que fazemos em busca de experiências, de aprendizado, então, o que nós escolhemos fazer, ser ou ter em nossa caminhada? Como anda a qualidade de nossas escolhas?

Para quem nunca pensou que pudesse escolher alguma coisa, para aqueles que acreditam no destino, pensar na 'qualidade' de uma escolha é um nível bem avançado. É mais que normal o choque inicial de quando nos damos conta que tudo que vivemos até agora: alegrias, tristezas, desamores, sucesso e todo esse contingente de experiências são realidades criadas por nós, de forma inconsciente, mas criadas sim, por nós. 100% criada por nós! Não há nenhuma, nenhuma partezinha dessa e de outras vidas que não tenham sido escolhas feitas exclusivamente por nós.
Culpa, medo, raiva de nós mesmos e principalmente, dúvida. Tudo isso nos assola quando as fichas caem, melhor, quando a consciência começa a despertar.

Mas culpa não nos serve para nada, a não ser limitar nossa visão e fazer com que fiquemos paralizados pelo drama, ao invés de observar o aprendizado intrínseco de cada vivência, ela faz com que fiquemos presos no vitimização de quão péssimos criadores somos e de quanta dor causamos tanto à nós quanto aos outros. Resumo: Libre-se da culpa! Ela não serve para nada!

O medo é como se fosse 'um segundo congelado no tempo', não se sabe porquê, nem quando, nem de onde ele veio, mas está ali tomando conta do seu corpo, estressando sua mente, drenando toda sua energia. Medo é algo que precisa ser integrado. A culpa, podemos deliberadamente abrir mão dela, mas o medo precisa ser olhado de frente, é preciso compreendê-lo e desmistificá-lo, entender que ele, o medo, também foi e é uma criação nossa. E se o criamos, também temos o poder de descriá-lo. Temos que olhar nos olhos do medo segurando o bastão da criação e descriá-lo, re-significá-lo, desintegrá-lo, o nome que você quiser dar à ele. Não há porque ter medo de entrar em contato com nosso medo, pelo simples fato de que quem o criou fomos nós.

Raiva! A raiva também é uma baita negação, ela faz com que fiquemos insadecidos e cegos para a verdadeira realidade das situações, e a raiva sempre, sempre vem acompanhada de vitimização.

É importante entender que se colocar como vítima é a mesma coisa que abrir mão do poder de criação que temos, e é claro não nos responsabilizar por ele. A raiva também vem acompanhada de um processo de fuga dessa responsabilidade. Sentimos raiva dos outros, colocamos a culpa nos outros, mas não há nada que qualquer coisa, pessoa ou situação possa fazer sem que nós tenhamos dado uma prévia permissão para aquilo.

A dúvida nos impede de tomar um decisão. E isso significa adiar nossas escolhas. A dúvida também nos mostra o quanto somos inseguros quanto a nós mesmos e nosso poder de escolha.

Não há porque termos dúvida, simplesmente porque não há decisão que seja errada! Estamos aqui afim de experienciar, de despertar e, se realmente a vontade, o desejo vem daquele lugar que você pode chamar de alma, de coração, não tenha dúvidas!

Eu sei, que isso é pank para quem está lendo pela primeira vez, mas assumir que somos criadores, que nós fazemos nossas escolhas e assim é, por que assim queremos, tem responsabilidades, mas é libertador.

O poder não está fora, não está nas mãos de ninguém, isso é muito libertador!

Domingo, 31 de Maio de 2009

Ferocidade

Embora o mundo seja extremamente colorido e brilhante, atualmente vivemos numa sociedade 'tom pastel'. Anda faltando um pouco de autenticidade.

Há um potencial em ser quem somos, mas quem realmente conhece o seu? Não somos ensinados a conhecer nosso potecial, buscar o talento, mas sim, nos encaixar num contexto social e ser aceito com o objetivo maior de ser bem sucedido.

E o que significa ser um sucesso? Em primeiro lugar, ter dinheiro, e para isso uma profissão, um concurso público, um bom cargo numa empresa que lhe conceda benefícios. Todos estão em busca da segurança, de pagar as contas, consumir e quem sabe viver.

O problema na verdade, não é o processo em si, mas sim o que nos leva à isso. Somos movidos por uma simples necessidade de se enquadrar, ou por aquele sentimento que faz nossa alma pulsar?

O que é ser você? Se sentir, reconhecer o que é seu e o que está comprando de fora para que esteja enquadrado no contexto.

Cada um de nós tem uma digital, uma íris, um corpo, e um pensamento pessoal e intransferível, e embora possamos traçar perfis de personalidade linearizando as pessoas, cada um é um universo adverso e multifacetado.

Nossa riqueza está em exatamente sermos totalmente diferentes uns dos outros, mas não temos tolerância para 'diferenças', sejam elas étnicas, sexuais, de personalidade entre tantas outras. Aceitar uma opinião diferente da nossa é uma grande dificuldade, e ao invés de respeitar a opinião do outro nos sentimos agredidos e desrespeitados.

Agregar integridade, estima e apreço por quem somos, significa exatamente olhar para aquele ser humano no espelho e ter orgulho em sê-lo. Olhar para a caminhada e saber que com todos os erros e acertos, nos tornamos cada vez melhores, e o mais importante, cada vez nós mesmos. Não num status de superioridade ao outro, mas numa simples sensação de conforto de ser quem se é.

É quando deixamos de buscar a aprovação da família, do companheiro, dos amigos, da sociedade para somente estar ao nosso próprio crivo. E não se engane, não há julgador mais atroz do que nós mesmos.

Essa pasteurização social nos deixa cada dia mais longe dessa reflexão, desse 'sentir'.

E é por isso mesmo que muitos não conseguem sair do seu armário pessoal. O mundo é melhor quando damos nosso melhor à ele, mas para isso nós temos que aceitar nosso melhor e reconhecê-lo.

Há uma ferocidade dentro de nós, um desejo de sermos mais, não mais ou melhor que ninguém, mas mais de nós mesmos. Mais dessa essência única, mais do nosso melhor, mais dos nossos talentos, mais das nossas paixões. E não falo de paixões de relacionamento, falo das paixões que nos fazem caminhar, tornar o impossível possível, falo das paixões que materializam nossa divindade caminhando para nos tornar quem realmente somos.

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

O Laboratório de Deus

Como falar de um ser humano co-criador sem falar daquilo que tira a idéia desse próprio poder?

As religiões sempre foram vistas com a proposta de fazer um 'religare' entre nós e o Criador. Mas será que realmente precisamos de um mediador para isso?

O Ser Humano sempre precisou de religião. E a Religião precisa de quem? Não é de Deus, mas sim, dos fiéis!

A Igreja Católica matou milhões somente pelo desejo de se mater soberana. E se não me falha a memória um de seus mandamentos é: 'Não matarás'.

As Igrejas Pentecostais e Neo-pentecostais vêem o seu Deus como único, o certo e verdadeiro Deus, logo, o resto do mundo está em pecado ou com satanás no corpo. Alguém precisa lhes dizer que eles são muito chatos, que gritam demais em suas preces (será que Deus é surdo?), além de serem extremamente repetitivos.

As Umbandas e Candomblés da vida têm a sacralidade a seu favor, mas tem uma ritualística dispensável, estão no caminho da ascenção, com médiuns mais conscientes (que não apagam ao incorporar).

O Espiritismo é ótimo como base da vida pelo princípio da reencarnação e todo um aprendizado científico pelo mundo que vivemos, mas o excesso de carma e culpa são chatos e limitantes.

Um contingente incalculável de religiões temos na Terra, na mesma proporção dos que lhe habitam, e claro, todas elas tem um pouco de fundo verdade, mas em geral quase todas ignoram nossa responsabilidade ou nos culpam em demasia. Além do que, a busca sobre a explicação da vida sempre foi a tônica do ser humano, e nesse caminho muitos se aproveitaram disso para bitolar multidões dentro daquilo que lhe era pertinente, é a questão do proveito próprio sempre dando o tom do caminho da humanidade.

Com certeza, Deus, não está encarcerado num templo, igreja ou numa imagem, seja ela qual for, mas se ainda precisamos disso para sentir essa conexão, ok!

Somos seres únicos na nossa individualidade, na forma como sentimos e vemos o mundo e não seria diferente na forma como sentimos Deus.

Sabemos que a natureza, os animais e também o homem são criaturas do Criador. Mas, o homem vem com um dispositivo, um 'plus', sendo um co-criador da sua própria criação: a realidade.

Temos um legado de responsabilidade para com o que criamos, e essa história de 'Deus' inibe esse senso, tole o despertar de uma consciência mais ampla sobre quem realmente somos.

O homem tem e sempre teve enorme dificuldade de admitir seus erros, logo, é muito difícil para a maioria de milhões aceitar que a 'merda' na qual vivem é fruto de sua própria criação.

Então, existe Deus. Culpa dele. Mérito dele também. Nossos pensamentos, emoções e ações não servem para nada. Nosso querer não serve para nada, a não ser que seja abençoado por algo que está simplesmente fora.

De uma forma ou de outra, desde que chegamos aqui buscamos Deus fora de nós . E existem os Santos, os Orixás, os Deuses, que fazem e podem tudo, e nós assistimos a novela cotidiana como confortáveis expectadores da própria vida.

Não há nada fora, só dentro de nós que somos a criação em pleno acontecimento, e tirar o mérito de nossas conquistas é também ignorar a responsabilidade sobre nossos erros.

Se não pudéssemos fazer algo por nosso próprio caminho, seríamos tão somente ratos no laboratório de Deus.

E será que não somos?