Prazer, meu nome é Bunda, e eu faço sucesso.
Como aconteceu sua carreira?
No início era chato, me chamavam de tanajura, mexiam comigo e isso realmente me incomodava. Depois, percebi que esse era um ‘diferencial’ e conhecei a investir na carreira e hoje sou Bunda.
Qual era seu sonho, onde queria chegar?
Não tinha nada planejado, me deixei levar, as coisas foram acontecendo, a admiração do público foi ‘crescendo’ e quando me vi já era sensação nacional. Hoje estou nas principais revistas e também na primeira capa de jornais!
Mas você não acha que a carreira de bunda dura pouco? Não pensa de colocar um pouco de cérebro em seu trabalho?
Ser cérebro dá muito trabalho e muito pouco reconhecimento, até porque não preciso ser inteligente ou ter qualquer conteúdo, é só sorrir e ser bunda, o importante mesmo é não ter celulite. E só isso já me dá muito trabalho.
E como é a questão da concorrência?
Ah, tem para todas! Cada uma com seu estilo e seu público, é claro! Tem as Bundas Povo, as Bundas Veladas que são bundas mas se disfarçam de cérebro, Bunda Estilo, Bunda Business............ É uma carreira realmente promissora!
Apreciar, é divino, banalizar é deixar cair no ridículo.
As mulheres queimaram sutiens e pediram por respeito, OK, direitos, OK, liberdade, OK, agora igualdade???
Homens e mulheres são diferentes, duais e opostos por natureza, logo, igualdade? Complementares, sim, iguais, jamais!
Essa necessidade de igualdade levou a mulher a passar por cima da sua própria essência, fazendo com que ela traçasse um caminho, a meu ver tortuoso. Ela perdeu muito de si mesma.
Na busca do respeito e conhecimento externo, nessa busca de ser reconhecida pela sociedade como algo além de uma fonte de prazer e filhos, ela esqueceu quem é.
Antes, era escrava de seu homem, da repressão de suas emoções, de sua sexualidade ou de qualquer forma de expressão, hoje, embora tenha se posicionado e alcançado cargos e espaço na sociedade, continua sendo escrava, mas de si mesma.
Escrava de todos os 'tem que', 'ser como', e uma infinidade de expressões auto-impostas para chegar à algum lugar que nem mesmo ela sabe onde fica. As expressões 'bem sucedida' e independente', imperam no dicionário feminino e em verdade, todas elas somente tem a ver com dinheiro. E dinheiro é realmente muito bom, mas é bom acompanhado exatamente daquelas coisas que ele não pode comprar.
Na dualidade as mulheres representam a receptividade, a criatividade, o regaço e num pensamento altruísta, o amor incondicional. E o mundo mais do que nunca precisa dessa energia!
Como um cristal que se quebrou, hoje a mulher está fragmentada.
O corpo feminino é realmente lindo, uma obra prima, mas anda tão banalizado! Em contrapartida, tantas mulheres não conhecem a ‘pele’ que têm e isso ainda nos dias de hoje, onde sexo anda na boca das pessoas como cerveja.
Sim, é necessário que as mulheres busquem o reconhecimento de si próprias, mas não da forma que estão fazendo. Esse reconhecimento não é da persona, não é externo, mas da essência do feminino, e ele não está no companheiro, nos filhos, no trabalho e muito menos na sociedade. Ele está num lugar há muito, muito tempo esquecido.






