Postado por : Monik Ornellas

POBRE HOMEM

No começo tudo era verde, tudo era azul.
Os rios fluiam, os pássaros cantavam num céu tão cristalino como as águas do mar.

Multiplas cores foram criadas e divididas em arco-íris e belas flores,
cada uma exalando divino aroma.

Da minhoca ao elefante foi criado.
Cada um no seu ciclo de vida e beleza
contrastando com a Natureza.

E no meio de tanta harmonia vieram os homens.
Aquela belaza não tocou seu coração e nem seus olhos.
Ela já estava pronta!

Bonito mesmo seria algo que ele criasse.

Então, ele fez o concreto.

E achou que concreto sobre concreto era mais bonito que verde e azul.

E a cada concreto construído, em cada pedaço de chão,
o foi construindo também dentro de si.
A cada hectare desmatado, ele desmatava também parte do belo e natural em seu coração.
Como se o que estivesse pronto lhe incomodasse, pois não tinha sua assinatura,
e sim a do Sublime, ele foi e vai mais e mais.
Não se pergunta, não pergunta à Ele se lhe é permitido.

O que importa mesmo é deixar sua marca por onde passa.

Consequências? mesmo que elas existam, ele as pode resolver.

A imensidão do mar, o infinito do céu não mais lhe tocam o íntimo,
e ele se torna tão limitado quanto as quatro paredes onde vive.
Pobre ser, que de tão grande, se tornou pequeno!

Aquilo que o Pai criou para lhe dar subsídios se tornaram impecilhos.
Aqueles que Ele criou para lhe acompanhar na caminhada, se tornaram presas fáceis,
pela ingenuidade ainda mantida.

Ele se fechou em seus muros de concreto, deixando de perceber o belo que existe fora e dentro de si.

Achou a cor do concreto mais bela que o multicolorido dos jardins.

Prefere a fumaça das fábricas, aos aromas das flores.

Não flui com o universo, como as águas dos rios e mares.

Há tempos se perdeu na imensidão da própria ambição.

Cerrou seus olhos para a inteligência da Natureza.
Burlou suas leis, assinando sua dívida com o Cosmo.
Mas, mais do que inteligente a Natureza é sábia e paciente
e se utiliza do tempo para progresso lento e permanente.

E o homem que corre contra o tempo,
vive entre seus concretos e não percebe os desígnios do Alto.

Tudo será restituído.
Cada pedaço de terra,
Cada árvore abatida,
Cada espécie extinta.

E o homem que se tornou pequeno é dragado pelas forças ignoradas.
Seu íntimo é varrido, derrubando todo concreto criado, dando lugar
para que seja plantado um novo jardim nesse peito devastado.

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