Postado por : Monik Ornellas

Sou filha única por parte de mãe e irmã do Brasil por parte de pai, ele era um bon vivant e disseminador de sêmen.

Sempre tive vontade própria, era uma vontade doida, volúvel, mas própria!

Minha mãe seguiu a linha durona, rígida, até por quê não poderia ser diferente por sua própria personalidade forjada numa realidade muito crua. E é assim até hoje.

Mas uma coisa era incongruente: a necessidade de me controlar da minha mãe e meu desejo de descobrir a vida. E claro como bons adolescentes que somos muito cedo descobrimos uma ferramenta que nos permite viver nossas ondas: A Mentira.

Tem crianças que começam a mentir muito cedo, parece que já vem no sangue, algumas crescem e se tornam mentiras ambulantes começando pelo que falam culminando no que pensam que vivem. E foi assim que percebi um modo automático de viver: Mentindo.

A Mentira é como uma bactéria, ela entra em nosso sistema e se infiltra por todos os lugares. Eu Mentia. 15, 16, 18, 20 anos e eu mentia. Mentia tanto que já não sabia mais se algumas histórias eram fruto da magia dos meus devaneios ou se tinha realmente colocado o pé na realidade. Era bem provável que não, pois a mentira cria uma fantasia sobre quem somos, ou melhor, passamos a viver como num trailler de filme, incorporando personagens que gostaríamos de respirar, mas não temos a auto capacitação para assumir essa vontade e partir para a realização, pois a própria mentira nos incapacita, já que a cada história de ilusão contada, alimentamos a pequenez de nossas impossibilidades como plano de fundo. E eu Mentia.

Mentia tanto que eu dia me descobri uma grande mentira. "Caramba, o que sou?" E a resposta que obtive foi um grande nada, vazio, vácuo total. E pior do que ser qualquer coisa é não ser nada. Você pode ser bandido, prostituta, padre, bancário ou executivo, mas ser nada não podemos nos permitir ser.

Percebi que eu tinha me tornado as histórias que contava, os comportamentos que pronunciava ter e os verbos que eu dizia conjugar, mas todos eram frutos da minha imaginação, isso significava exatamente que eu não era nada. Não sabia o que gostava, por que estava ali, o que me movia... e no meio a um imenso conflito de perguntas não respondidas, uma se tornou urgente: Por quê eu minto tanto?

Lembrei que começou com a necessidade de acobertar minhas fugidas para o shopping na hora das aulas, depois para fingir que ia na academia para na verdade namorar, para esconder as péssimas notas dizendo que o boletim não tinha sido entregue, chegando ao ponto dele - o boletim - se perder sozinho no meio do caminho, rs. No meio de nossas mentiras nos auto enganamos pensando que todos acreditam nas atrocidades que contamos, o que nos dá um maior incentivo para viajar na maionese dos acontecimentos, e claro como conseqüência, ganhar como brinde um descrédito que não percebemos.

Depois que elas – as mentiras - entraram na corrente, percebi que comecei usá-las como um sistema de aprovação. Criava histórias que exaltavam minhas façanhas, diziam nas entrelinhas o quanto eu estava a altura para ser escutada e respeitada, e dessa forma de mentira criou teias que me levaram à esse ápice de questionamento.

Foi desesperador me ver e sentir sem nada. Me olhava no espelho e não sabia quem era aquele ser. E esse foi meu Ponto de Mutação. Mentiras nunca mais.

Foi difícil no início e muitas vezes já me percebia dentro da mentira. Deliberadamente começava a traçar o caminho de volta. Aprendi que como uma droga o período de desintoxicação da mentira é muito difícil. Em contrapartida, a cada verdade dita garimpamos um passo em direção à Liberdade. A verdadeira Liberdade de Expressão.

Somos seres basicamente de expressão, então, que essa possa sempre nos reportar a clareza de nossas águas internas, fomentadas nos nossos desejos mais sublimes que com certeza nos proporcionam bases verdadeiras para a realização de cada sonho e de cada projeto idealizado.

Olá Meu nome é Monik, estou limpa das mentiras há mais de 15 anos.

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