Postado por : Monik Ornellas

Semana passada estava num daqueles furacões de “nada” – quando nas entrelinhas do dia-a-dia nada acontece e o marasmo habita, mas bem aqui dentro da gente o bicho tá pegando num misto de chuvas, trovoadas, relâmpagos e muitos, muitos furacões – e não por um acaso, fiz uma alergia de madrugada que fiquei com uma cara de porco, com um nariz que mais parecia uma “tomada”, logo em seguida, uma gripe atrelada à uma zique-zira no braço, toooda empolada... enfim, rapidamente fiz a vida ficar mais “interessante”!


Mesmo assim, me recusei a deixar de dar aula. Então, estou lá eu guerreira, faceira e teimosa quando no meio da aula, entre um espirro, uma coceira e um tic qualquer, minha aluna me pergunta com 'olhos curiosos':


- Antebraço é o quê mesmo Monik?
- Quando você deseja alcançar as coisas, o ato que te leva a abraçar, trazer o mundo que você deseja até você.
- Hum, entendi... e gripe? – naquele momento eu meio que comecei a sacar qual era a dela.
- Só entra quando o emocional degringola.
- Entendi, entãooooo... – tipo, você não fala pacas sobre metafísica? Então “resolva-se!”.


Eu saí dalí meio passada, indignada é a melhor palavra, e comecei a perceber que ela transformou em situação, em R E A L I D A D E  algo que eu mesma faço comigo: cobrança feroz! Por que de alguma forma, me sinto na obrigação de corresponder a 100% de tudo de falo! Hum???


Foi muito interessante por que percebi o quanto somos muito hipócritas. Então por que falo de metafísica não posso ficar doente, a nutricionista não tem direito de ganhar um grama ou comer um chocolatinho, a professora de português não pode cometer nenhum lapso gráfico, a repórter perde seu direito de conjugar um verbo errado, a estrela de cinema não têm dor de barriga, o terapeuta não tem problemas emocionais, o guru da casa-da-mãe-joana não pode xingar um fiel que enche seu saco... posso citar uma enormidade de casos onde não podemos ou não conseguimos lidar com nossos erros por que só desejamos os acertos, e com isso negamos a beleza da própria experiência.


Eu sempre fui muito má e rígida comigo, e não gostei de ver isso refletido na cobrança alheia, porém, me fez pensar nessa questão dos erros e acertos, da permissão à fragilidade, da flexibilidade, do auto-perdão e do poder de admitir a qualquer um em qualquer momento: estou errada, me desculpe. Na verdade, de todas essas coisas que nos tornam HUMANOS.


Que perfeição é essa que estamos buscando? Começando aqui, dentro da gente, dentro de casa. Para que você acredite ou dê voto à alguém, essa pessoa precisa ser um exemplo de confiança, todos os santos e pessoas endeusificadas tiveram que ter uma vida de “exemplo” com coisinhas toscas tipo: abstinência, boas ações e "perfeição", fatos que os isentam da qualidade de Humanos que foram!


Buscamos o corpo perfeito, o momento perfeito que caberá numa vida socialmente perfeita.


Nós expurgamos às coisas, pessoas e situações que não cabem no nosso modelo de pseudo-perfeição: doentes, ‘deficientes mentais’, não-inteligentes, socialmente-desajustados, pobres (de dinheiro ou de espírito), chatos, ladrões, homicidas, pedófilos, suicidas, enfim, todas as pessoas que também são humanas, mas NÃO nos remetem ao exemplo daquilo que queremos ser, porém ainda NÃO somos. Não somos por que enquanto humanos, podemos nos cobrar o modelo de perfeição, de educação, beleza, saúde, inteligência ou proeza, porém, não somos o modelo de compaixão e parcimônia primeiro conosco, depois com a nossa humanidade e conseqüentemente com a vida.


Não temos paciência, compaixão ou compreensão com essa turma que enumerei no parágrafo acima, sabe por quê? Por que eles nos mostram onde erramos – enquanto humanidade e sociedade - e não gostamos de ver nossos erros refletidos nos outros, principalmente quando esse outro não é um exemplo, mas só o reflexo do erro. O fato é que não gostamos dos erros e sim da perfeição, mas o caminho em direção à esta é composto de dúvidas, encruzilhadas, meios-de-caminho, às vezes atalhos e muitos, muitos, muitos erros de direção e decisão. E são esses erros que nos ensinam a diferenciação entre as coisas, e tudo bem, às vezes não conseguimos ‘captar a mensagem’ na primeira escorregada, quem sabe nem na segunda... mas a gente aprende!


E o outro também está nessa pegada, só que no tempo e no ritmo dele! Às vezes ele escorrega mais de três, mas seria eu “mais perfeito” por só ter precisado de duas? 


- Hahaha... pô aí mó burro! Não consegue aprender a parada!


Ou será que ao invés de usar minha experiência de “vida perfeita” como chicote do outro, poderia fazê-la como um fio de ligação entre nós?


Será que podemos ser heróis orgulhosos da vida comum, sem julgar ou provar nada... pra ninguém?




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