Postado por : Monik Ornellas

Eu tenho notado o crescimento da sinceridade. Uma sinceridade crua, nua, agressiva, quase corrosiva. Uma sinceridade que defende suas idéias e seu direito de expressão com unhas e dentes como se a qualquer momento alguém pudesse tirar o esclarecimento de quem a professa.




Acho que esse movimento teve parte do seu início lá nas comunidades de “Eu odeio...”. Descobriu-se que odiar é tão gostoso ou importante quanto amar! Mas, o fato é que quando exponho que odeio cabelos brancos, gero uma diferenciação, uma individuação entre eu e o outro, entre eu e o meio, entre eu e tudo que me permeia de forma inconsciente. Em contrapartida, descubro que há um milhão de pessoas que também tem aversão a cabelos brancos, crio uma identificação e apoio comum à minhas idéias, enquanto que, aquelas que são a favor do ciclo natural dos cabelos caem de pau em cima da minha opção de odiar, me fazendo contestar ou justificar ou me incomodar com aquilo que odeio. É um embate de discernimento das coisas e do crescimento delas.


Dizer o que não gosta está na moda. Mas não simplesmente falar como possuidor e sabedor do próprio gosto como: “Não curto comer angu”, não, isso é muito simples, muito básico. É preciso gritar para os quatro cantos que odeia o angu, quem faz angu e também criar uma personalidade aversiva para todas as pessoas que comem angu. Blerg! Cruzes! Aff!


É transformar uma simples diferenciação em protesto. Acho legal isso, mesmo que nesse momento me pareça um pouco corrosiva a forma na qual as pessoas estão se colocando, mas elas estão se colocando! Às vezes, não precisamos ir até o fundo do poço para descobrir que somos capazes de subir? E com isso, descobrir a distância, a profundidade e todos os métodos para subir e descer? Então, por vezes precisamos nos expressar de forma mais enfática para no fim, sacar que expressão é somente expressão.


Um dia todos chegaremos ao entendimento de que: se precisamos gritar nossa verdade aos quatro cantos é por que ainda não acreditamos nela com propriedade. Nossas verdades dão forma cor e  tom à nossa identidade, se desprender de qualquer verdade, é desprender- se de uma referência nossa. Por isso, defendemos o que acreditamos com tanto ímpeto e voracidade!


Desse modo, é como se estivéssemos na adolescência da humanidade, onde ela busca desesperadamente saber quem é, inicialmente dizendo “eu não sou isso”, mas é fato que ela ainda não sabe quem é ou do que é capaz realmente. Caso soubesse, não precisaria gritar, pois quando sabemos, simplesmente nos tornamos sabedores e quando somos sabedores ninguém tira isso de nós, logo, não há defesa, não há luta.


Então, eu contesto diversas coisas, meu blog é uma forma de contestação de atitudes humanas (minhas) e do mundo, sempre na busca da desconstrução e superação delas. Gosto muito de uma frase que diz: “Permita-se contestar, mas nunca negar”... Essa frase me permite ser flexível perante aquilo do qual não entendo ou não aceito como verdade, ao ponto de respeitá-lo sempre como uma possibilidade.


E esse é o ponto da questão atual: RESPEITO. Posso contestar qualquer coisa e contestar é desconstruir, e desconstruir é criar uma nova percepção, é expandir. Mas negar sua existência e razão é desvalorizar a importância dela para o meio e para o outro.


Caso fosse para todo mundo pensar, ver e sentir da mesma forma seríamos uma massa amorfa e amalgamada, e não quase 8 bilhões de seres pensantes caminhando pela face desse planeta.


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6 Responses so far.

  1. Este comentário foi removido pelo autor.
  2. Assim dizia Descartes em seu Discurso do Método:

    "Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem. E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam"...

  3. Muito bom. Texto bem escrito e verdadeiro. Ganhou um seguidor e um convite à visita do meu blog.

    www.aleatorioevirtual.com.br

  4. Anônimo says:

    ``Existe somente uma verdade, a diferenca e o tempo em que ela leva para ser descoberta ao longo da vida dependendo de cada individuo, infelizmente alguns morrem sem ao mesnos descobri - la``

    Vixi falei bunito pracarai riariaria...



    BY OMELETI.

  5. Gostei muito do seu artigo, porque reflete muito (muito msm) do que eu penso.

    Parabéns!

  6. Fabrício: Obrigada! Muito bom seu blog.

    Omeleti: É verdade... muita gente sai de cena sem chegar perto de criar, contestar ou desenvolver uma verdade própria, e isso é super necessário para a construção de quem somos, né não?

    Obrigada à todos!

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