Postado por : Monik Ornellas

Esse post não é para falar o quanto o Rio de Janeiro está violento, ou o quanto nós “a população” estamos sofrendo com a violência nos últimos dias, se fosse para falar sobre isso eu não teria aberto o Bitola Humana. Puff!
Eu gosto de falar o que ninguém gosta de ouvir, e no caso da tal da violência, ninguém quer saber que cada maluco daquele que se auto intitula “traficante” personifica um pouco da fúria e do desejo de poder existente em cada de nós.

Quem são os traficantes?
São crianças feridas. Crianças que cresceram se sentindo negadas e repudiadas. Crianças que não viram valor numa vida digna por acreditar que ela não leva a lugar algum e por fim, crianças com um ódio tão grande dentro de si que as fazem movimentar um batalhão de pessoas à sua volta, todas também baseadas nesse ódio e revolta interiores. Mas se formos tirar tudo que as protegem, armas e essa raiva avassaladora, só resta uma criança em pleno desespero de ser amada.

Traficante é um cara que cresceu numa realidade tosca. É em primeiro lugar, um cara com um potencial escandaloso de liderança, estratégia e logística. Como talento humano, muitos deles vão além do seu potencial, mas morrem muito antes entender seu valor, simplesmente por que escolhem uma causa sem futuro para exercitá-lo.

Veja bem, o tráfico vende drogas, e o que são as drogas? São substâncias que entorpecem os sentidos e nos tiram da realidade. Eles são vendedores de uma realidade paralela, de forma geral, eles só se tornam traficantes por quê existe um bando de pessoas que não gostam da forma como vivem e usam de entorpecentes para tornar sua vida palatável.

O que você trafica?
Eu fiquei como observadora, vendo e ouvindo e o que “o povo” falava nesses dias e me pergunto como as pessoas não conseguem perceber o quanto elas tem de envolvimento nessa história toda? Elas vibram quando os caras matam os traficantes, veja bem, não estou aqui para fazer apologia ao tráfico e nem à quem o comanda, mas sim para buscar um olhar diferenciado dentro do drama que todos nós vivemos.

Não há diferença entre eu, você ou o traficante, somos todos humanos! Humanos providos de emoção, a minha emoção pode me mover a escrever posts e fazer cremes e passo então traficar bem estar, "o povo" de forma geral é movido a se trancar em casa e reclamar da vida e todos são traficantes de drama e a emoção do ‘traficante’ o faz fazer o que faz! Não pense que ele não tem sentimento, muito pelo contrário, é totalmente movido por ele, principalmente pelo medo. Caso não tivesse medo, não teria essa fúria, essa raiva que o move afim de escravizar o mundo com entorpecentes para ver se dessa forma, se vinga por pensar não ter tido uma chance de ser alguém melhor. Sim, o traficante é uma pessoa e tem sentimentos próprios.

E você, o quê trafica???

Mata! Mata! Mata!
Não adianta matar, NÓS NÃOOOO MORREMOSSSSS!!!
Você mata o cara hoje aqui, ele vira um encosto do outro lado e fomenta o próximo traficante, pronto, falei!

As pessoas bebem violência como se fosse cachaça, vibram com ela! Existe um carrasco dentro de cada pessoa que acredita que é matando que se resolve as coisas. Adoram as cenas do filme real entre PM versus bandidos, da fuga, das estratégias de ocupação e da perspicácia dos bandidos. Não param de falar nisso, se sentem acuadas, mas em contrapartida, sua vida sem graça deu uma sacudidela!

Existe uma putidão dentro de cada pessoa que se disfarça numa vítima da violência urbana. Mas quando ela chega em casa, fecha a porta e fica sozinha com seu lado sombra, ela se depara com uma parte daquele traficante que vive dentro dela. Na verdade, não adianta fugir da violência pois ela está dentro de cada pessoa que mentamente ou verbalmente pede a morte da bandidagem para que possam assim, se sentir livres. Ilusão.

Por gentileza me veja um punhado de paz, por favor...
Paz não se compra com guerra, nem com morte. Enquanto cada um de nós não tiver paz dentro de si mesmo, ela não estará espelhada na realidade que vivemos. Somos nós quem criamos todo esse jogo de mocinho e bandido.

Você já ouviu falar em compaixão? A paz começa com isso. Começa com você aceitando as pessoas à sua volta, entendendo as diferenças, aprendendo a amar aqueles que te irritam, aprendendo a amar a si mesmo e seus erros.


Compreenda que aquele moleque no sinal, muito provavelmente será o traficante de amanhã, pois a cada 0,10 que ele nos implora é um pedido calado de: “O amor existe? Me mostre ele, pois eu não o encontro na realidade que vivo”. Mas, se esse tal de amor, ainda não existe dentro de nós, não podemos externá-lo, nem mesmo na forma de 0,10.

Tudo que existe dentro de nós se expande, observe o que é que está em expansão nesse momento e comece a trabalhar numa outra forma de sentir a vida.

A Paz é conquistada dentro de cada um nós, e não na extinção de pessoas.
Olhe para trás e veja: essa estratégia, nunca funcionou.



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16 Responses so far.

  1. perfeito esse seu texto. parabéns!

  2. Cara, sem comentarios, muito bom seu texto, vc se expressa muito bem!.

  3. Oi, Monique!
    Bacana e humanista tua visão sobre esse gargalo, que é a guerra provocada pelo tráfico e pela a má gestão da pobreza. No entanto, acho que você esqueceu de um aspecto fundamental desse problema: cada usuário de droga, mesmo o eventual, mantém esse comércio sanguinário e assim, contribiu para perpetuar essa guerra. É fundamental levar em conta a responsabilidade de cada um nesse processo.

  4. Anônimo says:

    Monique, excelente seu texto!
    Contudo, permita-me não concordar com algumas coisas.
    É certo que a morte não existe e que matar não resolve. Primeiro ponto.
    Também é certo dizer que quem fomenta o tráfico é a própria sociedade que, não conseguindo encarar a sua própria realidade, refugia-se nas drogas, financiando o tráfico do qual diz-se vítima. Segundo ponto.
    Só que existe uma parcela desta mesma sociedade que não usa drogas, que batalhou muito, estudou muito, lutou muito para adquirir algum bem material para melhorar o conforto dos seus. Esta parcela da sociedade não é culpada de nada. É pura e simplesmente vítima.
    Eu mesmo fui flanelinha, ambulante, office-boy, estudei muito e agora encontro-me muito bem financeiramente. E não sinto culpa nenhuma por minha batalha. Não conformei-me com minha miséria e nem deixei que as mazelas sociais me levassem para o crime.
    Então, não sou culpado pelo tráfico de drogas!
    Muitas pessoas que conheço também não são culpadas por terem conseguido algo na vida.
    Temos que tirar essa culpa de dentro de nós, pois onde pode existir o "traficante interno", se não deixarmos ele existir?
    A culpa só empobrece espiritualmente o homem; não deixa que ele se desenvolva; não permite sua liberdade.
    Portanto, não sou culpado de ser bem sucedido.
    E acho, também, que às vezes, é necessário que o Estado aja firmemente contra o crime, e se houver necessidade de matar alguém em combate, que se faça.
    A morte não existe, porém não podemos continuar com pessoas entre nós que querem nos matar.
    Essas pessoas tem que ser paradas de algum modo; nem que seja mandando-as para o além.
    Deus que as julgue e dê a elas novas oportunidades de redenção.
    Se virarão obssessores, bem, isto já é outra coisa. O certo é que no meio material - aqui - já são obssessores.
    E devem ser parados.
    Se não queremos que as novas gerações sejam criminosas, devemos investir pesadamente em educação e dar-lhes valores morais dentro dos lares.
    Num mundo ideal, as crianças abandonadas deveriam ser educadas pelo Estado, numa clara demonstração de que a mão que pune é a mesma que afaga.
    Por fim, é interessante sua postura humanista, mas, no meu entender, um pouco desvirtuada da triste realidade que nos cerca.
    Obrigado por este espaço de comentários.

  5. Não concordo que tu escrevas bem. O teu ponto de vista é o mesmo dos "defensores dos direitos humanos" e não dos HUMANOS DIREITOS.
    Traficante não é uma criança ferida, é um vagabundo. Não tem vontade de trabalhar, não tem vontade de estudar, não tem vontade de crescer (se a falta de oportunidades fosse motivo, TODAS AS PESSOAS IRIAM PARA O CRIME, coisa que não acontece, logo, não é justificativa). Defendo esse ponto tendo em vista que, uma vez que o traficante arruma dinheiro (casa com piscina, ar condicionado, tv de plasma, entre outras coisas) ele não para de traficar, matar, e aterrorizar.
    Nessa parte que tu escreves: "Não há diferença entre eu, você ou o traficante, somos todos humanos!". Eu me sinto muito ofendido quando tu dizes que eu sou igual a um traficante pelo mero fato de sermos Homo sapiens sapiens. Depois tu justificas que o traficante trafica por medoe fúria... "essa raiva que o move afim de escravizar o mundo com entorpecentes para ver se dessa forma, se vinga por pensar não ter tido uma chance de ser alguém melhor."
    Quanto as outras partes eu perdi totalmente o interesse em ler.
    Não sei qual foi o teu motivo para escrever um texto tão sem sentido, pois tu falas o que é feito e o que tu não concordas, mas no final não expõe o que tu acharias que deveria ser feito. E me fica uma pergunta na cabeça... Será que a autora desse texto,(tadinhos, no fundo eles não tem culpa) faz algo de humanitário, ou simplesmente assiste aos noticiarios e balança a cabeça?

  6. Anônimo says:

    Mas não adianta uma terapia para bandidos. Enquanto uns traficam drama, outros matam por profissão. Não há como comparar os dois. A solução para aquele bando de traficantes fugindo morro acima era o extermínio para servir de exemplo. Injustiça? Todos que estavam ali devem ser considerados réus confessos.Se tivessem a oportunidade de estarem em um helicóptero do tráfico observando a polícia fugir, o que vocês acham que aconteceria? Situações extremas requerem medidas no mesmo nível. E muita gente concorda comigo, podem ter certeza.

  7. Re: Raquel Med:
    Raquel, eu exponho isso na seguinte frase do post: "eles só se tornam traficantes por quê existe um bando de pessoas que não gostam da forma como vivem e usam de entorpecentes para tornar sua vida palatável."

    Obrigada!

  8. Re: Anônimo1:
    Olá! Eu também sou uma trabalhadora, não uso drogas, trabalho minha consciência, busco responsabilidade, mas sei que sou co-criadora dessa realidade, é isso que busco passar.
    Quanto ao Estado, ele tem obrigações dele sim, porém, essa é uma chamada já cansativa. Se pensarmos bem, o Estado é composto pelos nossos, é feito de pessoas e essas pessoas nascem e crescem nessa realidade onde a culpa e as resoluções estão sempre fora, ninguém se responsabiliza pelo seu quinhão e acabam por levar esse hábito para o próprio Estado, então quem é mesmo esse "Estado"?
    Se pudermos entender o quanto essa cadeira de vítima não combina com nossas possibilidades de realização, cada um de nós ao seu modo, poderá agir em prol de uma realidade melhor, nem que seja nos pequenos atos como um post ou uma simples mudança de comportamento.
    Ser um trabalhador, honesto e cheio de boas intenções, não é favor, é nossa obrigação, então, o que podemos fazer além disso?
    Abraço!

  9. Re: Geral:
    Respeito a opinião de todos.
    Venho lembrar que violência e matança não é novidade e a tônica sempre foi essa.

    Será que adiantou alguma coisa?

    O que busco expor nesse post é que toda nossa realidade CO-CRIADA (que criamos em conjunto) é o reflexo da falta de amor, compreensão e compaixão que temos tido uns com os outros.

    Obrigada à todos!
    Abraços!

  10. Como eu suspeitava, tu expões um ponto de vista falho, sem defesa de argumentos. De modo que tu generaliza os fatos, tirando a responsabilidades dos atos de um marginal e a colocando nos outros. Tu tiraste total responsabilidade dos traficantes.

  11. Re: Corvo:
    Olá Corvo, o traficante tem suas responsabilidades sim, e toda ação reflete uma reação.

    Como é mesmo que o traficante pagaria por seus erros? Sendo preso, morto, enfim, formatos já disponíveis na sociedade atual.

    Responsabilidade não se vende, não se compra, se um traficante tivesse alguma noção de sua responsabilidade, não faria o que faz. Será que tenho meios de cobrar dele alguma coisa nesse momento? O que se pode fazer agora, já está sendo feito, meu objetivo é incentivar a mudança de postura de cada um de nós que se mostrará em novos resultados a longo prazo.

    O objetivo do Bitola, não é dizer o que o Estado tem que fazer, vc pode encontrar uma diversidade de outros blogs que falam sobre isso: reajuste social, revisão do modelo carcerário tem aos montes, eu já li vários e sou a favor do re-modelamento da forma de aprisionamento dando produtividade e novos valores para quem vai parar atrás das celas e não numa escola de crime com pós-graduação.

    Penso que as mudanças acontecem nos nossos ínfimos pensamentos do dia-a-dia, que se refletem na mudança de hábitos e geram uma nova percepção da vida.

    Eu faço minha parte escrevendo sobre a forma que penso, discutindo tudo que escrevo e falo nos cursos, colocando o Bem Estar para cada cliente que chega à mim, me disponibilizando em trabalhos sociais e um fazendo um bando de outras coisas que ainda acho poucas.

    Mas nunca, jamais, me permito reclamar do Governo ou do Estado, pois eles sempre serão o espelho do povo, logo, o povo não é vítima. Os políticos e também os traficantes são filhos do povo.

    Por não acreditar na força da mudança individual ninguém se pré-dispõe a fazer sua parte e acabam todos confortavelmente jogados num sofá assistindo a tv-desgraça reclamando da vida, da crise, da violência e da falta de dinheiro.

    É isso!
    Abraço!

  12. eruback says:

    condordo com o corvo poeta...

    seguindo a máxima "quer conhecer uma pessoa realmete..dê poder a ela..."

    no caso dos traficantes seu poder está nas armas que usam para promover o medo e o terror. Eu tenho uma arma e não acho que por isso posso ser comparado com um traficante, minha arma não é pra ser usada como demosntração de poder pra cima de ninguem, até por isso faz anos que não pego nela e apenas uma vez precisei saca-la sem a necessidade de dispara-la.

    comparar traficantes com crianças talvez seja de uma forma correto.. pois são inconsequentes,egocentricos, destemidos e medrosos em diferentes situações e praticam "bulling" com a comunidade que os cercam. Sua "inocencia" faz com que pensem que são invencíveis mas como occorrido na invasão recente do alemão, se fez percebe que são vuneráveis(pois a maioria deles só descobre que é vunerável nos 2-5 minutos antes de morrer).

    trafico de drogas não precisa de armas.. somenmte de mercado (e isso tem um enorme.

    As armas não são primariamente para lutar com a polícia e sim para lutar com outros traficantes que queiram tonar seu mercado.

    os morros "apaziguados" pelas UPPs não possuem mais armas e "comandantes"... mas se vc quiser vc encontra a droga lá sim e muito fácil.

    concordo com a autora no que diz respeito a "humanização".. tem que aprender mais a SER PARA TER do que TER PARA SER.

    e o povo na verdade é um bom de um OPORTUNISTA. quadno o traficante faz mais por ele defende o traficante, quando o governo faz mais por ele, defende o governo.

  13. Com tua resposta percebo que tu não sabes o que fala. Na resposta que me destes, destacas o Governo e o Estado. Eu não citei nenhum desses dois nos meus anteriores comentários. Ou seja, enrolaste mais ainda. Não respondeste minhas réplicas. Perco muito do meu tempo discutindo com alguém que em vez de dar uma resposta ao que apresentei, leva a coversa para outros rumos.

  14. O pessoal achou que a autora estava comparando traficante com criança. Na verdade não é uma comparação: é uma realidade. Muitos dos que nós estavamos torcendo lá para morrer na favela eram crianças.

    Gostaria apenas de lembrar que existe uma diferença entre o traficante que fica com a grana do tráfico e as crianças que são recrutadas para serem guardas desses mesmos traficantes. Essas crianças//adolescentes não são traficantes. Mesmo ali, existe quem corrompe e quem é corrompido.

  15. Crianças?
    http://www.naosalvo.com.br/vc/wp-content/uploads/2010/11/rio_morro_alemao4.jpg
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  16. Anônimo says:

    Eu sou o Anônimo 1.
    Olha, Monique, há momentos em que conversês e blá blá blás não adiantam de nada. Idealismos e utopias já não convencem.
    Disso já estamos fartos.
    Quando a diplomacia falha, temos que agir. Mesmo que enviando nossos inimigos para o mundo espiritual.
    A gente os envia, Deus (n)os julga.

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