Postado por : Monik Ornellas


Tanto por tão pouco.

Olá, meu nome é Monik e sou uma ex-barraquêra.

Sim, daquelas que fazem escândalo nos lugares, se balançam toda, colocam o dedo na cara dos outros e querem chamar a polícia. Pode rir, eu passei e fiz alguns passarem por isso. Até parece que foi em outra encarnação, mas foi nessa mesmo, rs.

Exatamente por isso, vejo a maior parte dos bafafás como atos totalmente desnecessários, mas, como toda experiência nos leva a encontrar a medida das coisas, compreendo. O chato não é passar por essa fase, isso faz parte, mas sim perceber que muitas pessoas nunca saem dela e outras ainda transformam tal comportamento num estilo de vida.


Jeito de Barraquêro
Assim que acorda, logo após afiar os caninos com a escova, o povo  incorpora o ‘exu barraquêro’ pela manhã e só larga o dito na hora de dormir.

E durante o dia pode ser por nada, ou, pode ser por tudo: tipo, tá tudo meio cinza, ninguém liga, há tempos que num rola sexo, então, solução rápida para uma vida sem graça e medíocre, é criar uns barracos pra ver se rola um frenesi no dia, ooooou, está tudo muito frenético e todas as demandas são urgentes.

Regra básica de parágrafo único deste post: Todo ser cheio de obrigações, que se torna o centro resolvedor de problemas e pendengas, se transforma num barraquêro potencial, daqueles sempre cheios de razão de ser (é o tipo mais comum).


Barraco é uma necessidade umbiguista.

Você sabe com quem tá falando?... Nem eu.

Necessidades inconscientes de um barraquêro:

- Ter o que falar com os outros, normalmente sobre suas façanhas barraqueiras e frases usadas na rinha verbal;
- O sangue fica mais quente nas veias, rola uma adrenalina, dá um sensação de "tô vivo";
- Tem sobre o que pensar, além de catalogar um arquivo de barracos históricos para contar (onde claro, ele é sempre o protagonista);
- Reforça fortemente seu intenso desejo de ter razão (mesmo a perdendo quando levanta a voz);
- Acredita que ganha admiração dos outros quando conta sobre os foras, os bate-bocas e os tantos barracos que cria ao longo do tempo;
- Gera uma sensação de ter "atitude", quando na verdade é mais um mal educado e egoísta mesmo;
Entre outros tantos...


Todo barraquêro tem a idéia louca, que gritando ou falando agressivamente, fará com que o outro lhe respeite, nem que seja na porrada. Mas, esquece ou não sabe (não sei qual dos dois ou se os dois) que na primeira palavra gritada já mandou ralo abaixo, o respeito e a razão. Fato: decibéis acima e automaticamente, perdemos metade do direito de reivindicar qualquer coisa, pois esse é um tipo de ‘agressão’, e se vier acompanhado de xingamento então, babou de vez!


O Barraquêro não é necessariamente uma pessoa mal educada, 
é só alguém de mal com a vida.

Logo, não vê valor em gentilezas. Mas, nem todos os barraquêros são seres sem noção, quando rola uma interação num meio mais elitizado, eles metem o galho dentro, dão um aviso prévio na vibe do "exu" e passam a fazer uso temporário da educação como cartão de visitas. 

Como todos os seres humanos desse planeta, os barraquêros anseiam em ser amados e acarinhados, mas parte deles não acredita mais que isso seja algo realmente possível hoje em dia, e para não restar dúvidas de que coisas boas existam, começam a matar dentro de si mesmos todos os aspectos de delicadeza e doçura para que não se sintam frágeis ou feridos, pois acreditam que atuando no formato quem com ferro fere, com ferro será ferido estarão mais seguros e protegidos no mundo cão que vivem, acabando por fomentar a continuidade de tal mundo com suas próprias barraqueirices.

Existem duas classes de pessoas que para mim se resumem numa só: o barraquêro e o quizumbêro, a diferença entre um e outro, é que o primeiro sempre dá showzinho para chamar atenção, já o quizumbêro nem sempre arma o palco, mas é aquele tipo de pessoa que sempre arruma um trelelê onde pisa, pavor dos atendentes com certeza.


Barraco x Respeito


Cuidado com o que cativas ao seu redor.
- Fui lá e dei um escândalo na agência, rapidinho eles me atenderam (relato de uma barraquêra anônima).

Barraco sem platéia não é barraco.

Cara Barraquêra, você só esqueceu de relatar o cuspe no seu cafezinho e a oportunidade de revanche que alguns espíritos de porco já armazenam para usar assim que tu estiver numa posição de ‘precisar mais e barraqueirar menos’, creia, isso acontece fácil.

Respeito é algo que se conquista, literalmente, nem títulos impõem respeito. Você pode ter uma atitude pró-forma com alguém que tem um cargo, porém não ter o menor respeito pela figura que ela é. Quando pessoas nutrem respeito umas pelas outras, ele - o respeito - se manifesta na presença ou ausência delas, um barraquêro normalmente não dispõe desse tipo de coisa.

Muitas pessoas até fazem o que os barraquêros "mandam" - barraquêro não deseja, às vezes ele pede, porém, o tom que usa é sempre o de quem quer mandar -, por puro medo, mas medo também não significa respeito. No respeito há admiração, coisa que está longe de existir quando alguém tem medo de um barraquêro.

Ninguém gosta de ser diminuído ou desrespeitado, sendo assim, barraquêros que cativam medo nos outros, criam uma rede de monstrinhos encubados que abaixam a cabeça pela frente, mas na primeira oportunidade os apunhalarão pelas costas, facilmente. Aquele papo de quem ri por último, ri melhor.


Barraco x Berço
Barraco não é coisa de pobre. Acúmulo de dinheiro não atesta educação, vide alguns endinheirados com alma de quizumbêros, alimentados pela doce ilusão de que o mundo tem que respeitar e venerar sua ilustre presença pelo simples fato deles respirarem, como se o ar fosse somente privilégio de uns.

Ego de um quizumbêro.
Posso dizer isso de cadeira, devido aos anos trabalhados como ‘serviçal’ das massagens nos Spa’s Classe AA++ da vida. É pank lidar com a síndrome do ‘me serve agora que sou importante’, principalmente quando nós também temos os dois pés na arrogância e prepotência (espelho fácil).

Mas a verdade verdadeira é, que a pessoa com uma "alma real de madame" não faz uso de nariz empinado, além de nunca, jamais descer do salto. Ela usa três armas infalíveis para conseguir qualquer coisa: Gentileza, Generosidade e Influência Positiva.

Explicando:
Usa de Gentileza no trato com as pessoas, com isso ela não só respeita, como é muitíssimo respeitada, de Generosidade quando partilha pequenas coisas (não são barganhas, são formas de agradecimento àqueles que a ajudam e servem) e Influência Positiva, quando reforça nos outros (de forma genuína) seus aspectos positivos, fazendo com que eles atuem a seu favor por se sentirem reconhecidos, aumentando de forma significativa o carisma dela. Dessa forma, ela consegue tudo o que quer, as mais especialistas nem levam o crédito da coisa, por fazê-lo num requinte de tentáculos que nenhum barraqueiro conseguiria compreender.

Essas características obviamente podem ser trabalhadas se quisermos, mas percebi ser algo genuíno nas pessoas que conheci: extremamente finas, respeitosas e respeitadas com um alto senso de cooperação e reconhecimento do valor de cada pessoa que colabora para um mesmo fim.

A diferença básica entre uma barraquêra e uma madame: é que a barraquêra está empenhada em chamar a atenção para si e sua necessidade, enquanto a madame usa os recursos da boa educação, não só para chegar ao seu objetivo, como para fazer com que todos queiram a mesma coisa que ela, sempre com sorriso largo no rosto.

Madamas tomam cafezinhos importados, de alta qualidade, adoçicados com o sazon das pessoas que as servem, enquanto quizumbêros e barraquêros tendem a se entalar com 'cocretes' envenenados servidos pelos maravilhosos Profissionais dos Infernos.

Abraços gentis!

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