Postado por : Monik Ornellas

Hoje assisti um vídeo impactante sobre uma linda menina coreana que falava sobre a realidade no seu país, onde lá,  na Coreia do Norte, eles só dispõem de um canal e não tem Internet. Qualquer atitude, ideia ou comportamento que não sejam tolerados, a sentença é a morte. Estou resumindo de uma maneira muito pobre e ordinária a história da coreana.

Isso me fez refletir sobre o nosso momento e o que anda rolando por aqui.

Olho para minha vida, minha casa, meu trabalho e me sinto profundamente agradecida pela liberdade que desfruto. Liberdade essa, que me permite acessar esse portal e postar ideias, percepções e olhares a respeito da forma como sinto e enxergo a vida, dentro das mudanças e acontecimentos que atravessamos.




Mas, parece que, essa liberdade pessoal não nos basta. Aliás, nunca bastou em anos e milênios. O problema da humanidade sempre foi essa necessidade de controlar o pensar e o querer do outro.


Temos todos esses direitos por aqui: de ler o que quiser, falar, escrever e hoje em dia até filmar. Mas isso, não nos basta.


Temos milhões de redes sociais, amigo reais, virtuais, seguidores, fãs. A facilidade de estar em rede, nos ajudou a encontrar milhões de pessoas que comungam das mesmas ideias que nós. Mas isso, também não nos basta.


Ter toda essa abundância de livre arbítrio real ou virtual ao nosso favor para criar, descriar ou recriar ideias, opiniões e comportamentos não tem bastado. Porque o espírito da guerra não deixa.


Ouso dizer, que foi essa mesma liberdade virtual - meio que sem consequências ainda -, que deu espaço para vir à tona o tirano que há dentro de cada um, que eu chamo de espírito da guerra.

O espírito da guerra tem permeado a todos nós.
Ele acorda e dorme conosco.
É aquela voz que nos infla com todos os tipos e variáveis de medo diariamente, alimentados pelos óculos-vilanizantes que nos fazem ver inimigos em todas as pessoas e situações do dia a dia.


O espírito da guerra faz de todos e cada um, sabedores-mores-de-seja-lá-o-assunto-que-for e por consequência torna a todos e cada um, intolerantes vorazes de qualquer coisa que não espelhe sua aprovação soberana.


Então, vivemos nesses tempos de guerra, onde todos acreditam que tem inimigos a serem combatidos, como:


Pessoas com opinião política adversa,
O cara do outro time,
Sexo, religião, filosofia, humor, percepções diferenciadas, etc.
Qualquer coisa, pessoa ou lugar diferente é um ultraje.


Transformamos escolhas pessoais e a liberdade de expressão, numa guerra sobre quem está mais certo sobre a verdade mais verdadeira dessa ou aquela situação.

Sendo assim, é , mas não é permitido expressar a própria opinião, saca? Aliás, hoje em dia é, mas não é permitido uma infinidade de coisas. Punição: VIOLÊNCIA VIRTUAL.


Veja bem você, a maioria de nós está engatinhando nessa parada de liberdade, mal sabemos escolher direito o que queremos ou nos faz bem no dia a dia. A pessoa quer viver e fuma, quer amar, mas só se mete em relacionamentos abusivos, quer ser bem sucedido, mas não sabe como, nem em quê.


Se ainda nem sabemos como transitar na nossa vida, como meter o bedelho na percepção alheia? Como ter a pretensão de que sabemos como o outro deve agir?


Mesmo que todos tenham uma vida muito da perfeita, isso não nos dá direito algum sobre a opinião alheia. Podemos fazer como muitos já o fazem, dicas, posts e segue quem quiser. Liberdade, livre arbítrio!


A beleza do que vivemos hoje é entender que cada um de nós dispõe de um panorama diferente da vida e que, juntando essa infinidade de percepções pessoais sobre a mesma situação, zeramos a possibilidade de pontos cegos.


O compartilhar de cada um de nós, nos permite o acesso a histórias e vidas, que antigamente num passado não tão distante quanto parece, só teríamos oportunidade de sabê los numa sabedoria passada de avó-mãe-filha ou quem sabe, numa fogueira com anciãos, fogueira essa, limitada àquela qualidade de anciãos.


Hoje, dispomos de uma infinidade imensurável de percepções, vidas e historias diferentes, que ampliam cada  vez mais a forma como vemos o mundo quando nos permitimos, mesmo que por segundos, ver pelos olhos do outro, tal como fiz com a coreana.


É visível que ainda somos como crianças, nos lambuzando num doce nunca antes provado e mesmo com montanhas de quilos de doce à disposição, estamos querendo tirar o do coleguinha.


Resumindo, o desejo tirano de cercear a liberdade de expressão do outro, só nos mostra que ainda não sabemos lidar com a nossa própria.

Monik Ornellas

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